domingo, 24 de agosto de 2008

A DOR

A dor emerge

Do submergir da doçura,

Da necessidade de vestir a armadura.


A dor já está velha,

Cansada e fraca

De tanto dar murros em ponta de faca.


E se traveste de força,

Couraça, coragem;

Bagagem pesada de mais para a viagem.


Eu quero despir-me

De vez deste escudo

E voltar a ser doce como fruto maduro


MOMENTOS

Tem momentos que a tristeza invade o peito

E por fim inunda tudo

De impossibilidades


Tem momentos que não consigo dormir

Temendo despertar do sonho

De tê-lo encontrado


Tem momentos de serena alegria

De saber que todo dia

É um bom dia pra cantar


Tem também aquela esperança certeira

Que mesmo com toda pauleira

Assegura o caminhar


Tem momento que tudo é comunhão

Em um só coração

Que não para de pulsar


E me irmano com entes, seres, estrelas

E a doçura verdadeira

De sentir tudo vibrar


Em momentos emoções são maremotos

Onde a gente só se afoga

Quando não quer mais nadar


Em outros o corpo se lança no espaço

Como aventureiro pássaro

Sempre pronto pra voar


Mas o momento minuto a minuto esperado

É aquele momento sagrado

Feito pra gente se amar


INDEFINIÇÃO

Que misterioso e leve alento!

Brisa diáfana e tão profunda

A indefinição certa e suave;

Que loucura!

Que coisa boa e inquietante!

Que sonho mais real e mais opaco!

Que certeza mais intangível!

Que bom poder viver cada minúcia

Da complexidade de meu próprio Ser!


MENINO, HOMEM, MENINO

Você chegou de repente

Revolucionou meu coração

Como se fosse dono da casa

Mudou toda a arrumação


Agora estou meio perdida

Na bagunça das lembranças

Que você não levou na despedida

(Que não houve) e nem deixou esperanças


Ao Destino entreguei tudo

Por isso nada procuro

Mas meu coração não está mudo

Talvez ficando maduro


CRIANÇA

Toda criança é uma luz

Cheia de sonho e fantasia

É ela que nos conduz

A procura de Harmonia


Harmonia que o ser adulto

Não nos permite viver

Mas o ser criança, oculto,

Faz-nos sempre renascer


Se todos no mundo soubessem

Quantos em nós existem

E tantos de nós fenecem

Porque os adultos insistem.


Toda procura é vã,

Se temos em nós as respostas.

Mantendo a criança sã

Não temos chagas expostas.


SABOR DESTINO

Queria escrever algum poema

Que fosse leve e solto como a brisa

Mas ainda não está no meu esquema

Além de mulher e mãe ser poetisa.


De qualquer forma estou feliz agora;

Botei todos os fantasmas porta afora.


E assim ao sabor das ondas do destino

Estudo, amo, trabalho, de tudo um pouco,

É excitante de mais, quase alucino...

O destino é sempre um grande louco.


Vou buscando a poesia de estar só,

Confiando no tempo que desate o nó.


E acreditando em coisas tão subjetivas

Encho-me de esperanças e otimismo,

Mas neste mundo as coisas não são definitivas,

Por isso temo cair n’algum abismo.


O destino é sempre novo e isso me acalenta.

Mas da segurança que preciso não me alimenta.


Mas tudo são fatos e fatalidades

Que a própria vida há de resolver,

Mas fazer dela uma banalidade

Pode ser um dom, mas não o quero ter.


MERGULHO

Mergulhei em papéis

Escritos, impressos,

Vividos, reversos

Em versos

Em mim!!!