domingo, 31 de maio de 2009

INSTINTO SEXUAL X AMOR

INSTINTO SEXUAL
Os relacionamentos afetivos são normalmente baseados no binômio Instinto Sexual X Amor, sem que, no entanto, tenhamos consciência do que cada um representa.
Procurando entender como cada um destes aspectos funciona podemos arriscar uma otimização na habilidade de lidar com afetividade.
O instinto sexual é uma pulsão primitiva que nos conduz à vida reprodutiva e à perpetuação da espécie. É, sem dúvida, fonte de um prazer cuja intensidade normalmente perpassa todos os nossos sensores. Por isso é uma forma de satisfação que todos buscam, de uma maneira ou de outra.
Quando nos sentimos atraídos por alguém, é como se soubéssemos, de antemão, que a “química” neste setor pode funcionar muito bem.
Esta atração é o primeiro passo de uma possível aproximação. Todos intencionam passar os momentos agradáveis da vida na companhia de alguém que nos dê prazer.
O amor, no entanto, é um verbo e como tal depende apenas de prática. Ele começa quando resolvemos praticá-lo e termina quando não mais desejamos fazê-lo.
Depois de algum tempo a atração sexual pode diminuir, seja por falta de criatividade, por pequenos vícios de comportamento, pela necessidade de experiências novas, por falta de atenção ou de cuidado do parceiro, por expectativas frustradas, enfim, inúmeros motivos podem fazer com que o sexo perca seu esplendor. Felizmente isto não ocorre sempre, mas em geral, quando ocorre, significa o término da relação.
O amor, como é um verbo que se conjuga de maneiras variadas; na atenção, no carinho, na escuta, na amizade, na aceitação, na liberdade, na confiança, no companheirismo, no acolhimento, no conforto, no cuidado, na empatia, na boa vontade e em todas as formas de afeto e afeição, ele independe de circunstâncias externas, de tempo ou de espaço, mostrando sua disponibilidade através dos pequenos atos ou de um simples olhar, mas deixa claro o interesse na conjugação do mesmo.
O mesmo interesse que temos em nos entendermos com os entes próximos, parentes, por exemplo, a mesma disponibilidade que temos em acreditar, como quando somos crianças, a mesma simplicidade em aceitar, como quando mantemos a espontaneidade, tudo isso é o exercício e a prática do verbo amar.
Este exercício e prática nos faz querer penetrar o universo do outro, compreendendo seus mistérios, mesmo sem desvendá-los, aceitando sua liberdade, sem desconfianças, acolhendo sua privacidade, sem apego e, sobretudo, disponível para as coisas como são, sem expectativas e modelos pré-estabelecidos, pois são as permanentes mudanças que nos fazem recriar e reinventar a cada momento as possibilidades do “Amar” contidas em qualquer relação.
(Dezembro de 2009)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

QUANDO

Quando todos estão indo

Eu estou voltando

Quando todos estão chegando

Eu estou saindo

Quando todos estão sorrindo

Eu estou chorando

Quando todos estão cantando

Eu estou dormindo.



Quando todo mundo mente

Eu sou verdade

Onde tudo é vaidade

Sou indigente

Quando está tudo dormente

Sou sensibilidade

Onde há prolixidade

Eu sou silente



Quando se espera de mais

Eu nada peço

E os fatos não impeço

São vens e vais

Como rios no meu cais

São sem regresso

E fadados ao progresso

Não voltam mais

(29.09.2008)


domingo, 28 de setembro de 2008

ENQUANTO AQUI

INFÂNCIA


Quando se vem ao mundo

Sem se receber amor,

Já se conhece fundo

Um perfil triste do mundo

De abandono, impertinência e dor.


ADOLESCÊNCIA


Depois a hipocrisia,

As palavras sem volta,

Sem verdade e sem valia

E a profusão de energia,

Torna-se revolta.


JUVENTUDE


Criam-se então fantasias,

Pois é necessário fugir

E ilusões, sonhos, utopias,

Crenças em fraternas alegrias,

Impulsionam o prosseguir.


MATURIDADE


Mas é difícil para o humano médio

Entender alguém sem referência externa,

Que mergulhou tão fundo em busca de remédio,

Fugindo de qualquer tipo de tédio,

A procura da Verdade Eterna.


SABEDORIA


E lá no fundo da vacuidade

No silêncio fecundo do coração

Acolhimento, amparo, integridade

São multifacetas da Unidade

E experimento, por fim, pura União.

(28.09.2008)


sábado, 20 de setembro de 2008

PRESENTE

Agora eu faço a melhor opção

De me resguardar, me auto-cuidar, me proteger.


Agora observo como me sinto

E opto sempre pelo melhor.


Agora acolho com simplicidade

Minhas multifacetas.


As falhas e fragilidades, vitórias, méritos e conquistas,

Tudo é integrado no agora.


Agora é tudo o que preciso

E tudo o que disponho para ser plena.

(28.07.08)


domingo, 24 de agosto de 2008

CRIANDO O MUNDO

O Amor não tem fronteiras

E não conhece limite

Mesmo que não acredite.


O Amor não se restringe

E vai preenchendo-o inteiro

Do dedão até o cabelo.


O Amor não tem amarras

E faz todos mais humanos

Mesmo que por trás dos panos


E ele que nos norteia

Mas somente ao corajoso

É dado tamanho arrojo.


Quando o Amor floresce

Aromas se espalham no ar

Num envolvente bailar.


E dança a dança da vida

Onde a cada despertar

Amplia o desabrochar.


Tudo passa a ser surpresa

Que não dá pra adivinhar

Dês da hora de acordar.


Permitindo este fluxo

Podemos então brincar

Com as ondas de nosso mar.


O Amor não vem de fora

Não alimenta ilusão

A fonte é o seu coração


E quando os corações se unem

Cada enlace serpenteia

E assim tecemos a teia.


Esta teia nos acolhe

Todos seres estão nela

Cada um é uma parcela


Que se expressa como um dom

Que emerge lá do fundo

E assim criamos o mundo.

(16.03.2008)

RELACIONAMENTO


Quando um pássaro canta numa árvore bem em frente a minha janela, inicia-se uma relação.

Mesmo sem o saber, ele canta para mim!

Meu coração bate mais rápido e se alegra, embora ele não o saiba.

Seu canto é presságio de uma comunhão profunda que estabeleço com a Terra.

É a abertura para tudo que jaz no inconsciente, para as linguagens sem forma.

É o sinal, o chamado que me transporta ao interior.

De lá, deste mergulho silente, seu canto ecoa fazendo parte de mim.

E então somos Unidade!

(24.07.07)


Eu deixo a noite cair dentro de mim

E o corpo silencia aconchegado

Pelo esmorecer das cores.